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Sobre a despedida de uma alma colorida

De todas as piadas, a morte é a única definitivamente pronta.” É estranho ter escrito isso um dia e descobrir o significado só um tempo depois. O ridículo humano, antes de um defeito, é um aspecto natural. O homem da cara pintada se vale disso para encantar sorrisos. A morte é também um aspecto natural que, infelizmente, podemos até moldá-la em forma de graça, mas nunca vencê-la. E por falar nisso, é triste perder alguém. Mas perder alguém que faz graça, em tempos de ódio, não é uma baixa pessoal, mas para o mundo. É a certeza que ficamos sem um operário que coloca óleo na grande engrenagem que o mundo se tornou, evitando que os corações se enferrujem. Os homens perderam o dom da simplicidade, os palhaços os lembram cotidianamente dele.

Não é raro uma criança nos perguntar “Você é palhaço de verdade ou só pintou a cara?.” Fiquei um tempo pensando sobre isso. Existem homens-palhaços ou homens e palhaços? Acredite, é diferente. Se entendermos que o palhaço está estritamente ligado a um homem, é a certeza que o sorriso se apagará com a morte. Mas quando acreditamos que o palhaço está acima da condição humana, percebemos que seu corpo físico pode até ser levado, mas sua alma colorida sempre estará por aqui, ainda que em lembranças. Creio profundamente na segunda opção. Quando escolhemos pintar a cara (e alma) como missão, estamos avivando um novo ser. Ainda que nossos sonhos e dores permaneçam debaixo da roupa colorida, desperta naquele momento aquele que emprestará para sempre seu brilho nos olhos para os demais, mesmo quando os seus olhos se fecharem. Sendo assim, a eternidade para os palhaços é mais que um consolo é um caminho certo a ser percorrido.

Respeitável Público, a dor acompanha o homem desde o despertar, já a alegria se fez presente quando ele se esbarrou com as cores. Ali se distinguia o momentâneo e o eterno, o passageiro e o perene, a morte e a vida, o homem e o palhaço. E se a vida é mesmo uma grande viagem, o homem pode até descer na próxima estação, mas o cara pintada seguirá pelos trilhos, ainda que seja no teto, no sótão ou em qualquer lugar que não possa ser visto.

Farley Kennedy era artista circense do grupo Só Riso da cidade de Jequitinhonha. Participava de movimentos culturais na região e era muito querido por onde passava. Faleceu no dia 14 de Outubro decorrente de uma complicação respiratória

 

 
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Publicado por em outubro 18, 2016 em Uncategorized

 

Violência: O debate da “Geração Miojo”

Que digam o que quiser, mas eu sou teimoso. Me recuso a ter que me retirar das ruas de Pedra Azul por conta da violência que se estende. Não é heroísmo. É a certeza de uma inversão de valores. A rua é um espaço público e como tal não pode ser privatizada ou dominada por quem quer que seja. Enquanto pensarmos nas praças, ruas e eventos como espaços que não devem ser frequentados, estamos nos sujeitandProtestoo a lógica de que nossas vontades podem ser determinadas de acordo com interesses alheios e de que nossos filhos e netos encontrarão como brinquedos grades, cadeados e cercas elétricas. Me recuso a ter que contar sobre as brincadeiras de moleques na rua, das conversas de vizinhos na porta e na ação poética de olhar a lua, como “coisas que não são do nosso tempo”. Não é uma ameça apenas a nossa integridade física e moral… É um atentado contra a formação de mentes livres que pensam e pintam seu tempo, conforme sua vontade. Mas pra limpar a “casa” e “varrer” a violência, Temos que antes tirar a poeira das nossas opiniões e pensamentos. Primeiramente, que fique claro para nossa geração “miojo” (Rápida e sem recheio): O Facebook é uma ferramenta de interação, mas jamais será a vida real. Portanto, o compartilhamento de uma imagem do “Basta a Violência” desprovida de ações concretas é feito badogue sem pilota: Só serve de enfeite. Violência é problema social, que não se resolve com a bunda pregada na cadeira. Segundo ponto: Polícia é uma ação de segurança pública repressiva. Se insistirmos na idéia de que porrada e cassete são as únicas soluções, preparemos: 1/3 da populaçao para se tornar Políciais, para reprimir os outros 2/3 que estão em conflito. A ação da Polícia é de extrema importância, mas exigi-la de forma isolada é como colar chinelo com chiclete. Se a violência é um fenômeno social, ela tem relação direta com a construção de valores e outros fenômenos sociais: Educação, Saúde, Lazer, Assistência Social… A questão vai mais além: O Papel da família se desfigurou, O poder público não atende a demanda de serviços, sobretudo das comunidades, e a população se tranca cada vez mais, esquecendo que é irrevogável, o direito a segurança e a convivência sadia. E por fim, entendamos: Não esperemos a próxima morte para reacender a chama da busca pela paz. Um homicídio é o ponto extremo de uma ação violenta, mas por si só não é a Violência. Ela se forma no cotidiano, onde diversas situações ferem a nossa integridade, nos colocando em condição de desigualdade. Deixemos de “achismos” e larguemos as vaidades… O Suor da bunda pregada na cadeira, não pode ser mais sagrado que o sangue que se derrama nas ruas.

 
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Publicado por em maio 23, 2014 em Uncategorized

 

Manifesto: Carta aberta aos ouvidos alheios

censuraAcredito que deveria colocar na entrada de Pedra Azul uma placa com os dizeres: “Ao entrar na cidade, guarde sua inteligência nas malas. Proibido romper as fronteiras da omissão e da ignorância”. Aos que criminalizam a opinião de um mero cidadão, alerto para alguns fatos.

Há milhares de pessoas se espreitando em casebres da nossa cidade, com salários desumanos que não utilizam redes sociais. Há centenas, talvez milhares, de crianças, adolescentes e jovens que, independente do termo que eu emprego no FACEBOOK, estão se acabando no vício do crack e outras drogas. Diariamente dezenas de crianças são violadas em seus direitos, e não é preciso Login ou Senha. São essas pessoas que merecem a atenção exacerbada dos Senhores, não os meus caracteres. Mas se ainda sim julgarem conveniente se atentar a forma como uso, devidamente ou indevidamente, as palavras em minhas postagens, peço um novo favor: Sejam tão criterioso quanto, em suas campanhas eleitorais, que quase sempre são de um nível ortográfico e um vocabulário que não merecem serem utilizados nem nos lugares mais clichês.

Se vão mesmo ‘punir’ em forma de lei, tudo o que o julgarem afetar ou ofender a ordem e as instituições de governo, façam. Mais façam por completo. Há desvios e trangressões de conduta acontecendo que ferem a dignidade pública mais do que qualquer postagem que um cidadão de nossa cidade venha fazer.

Indo mais longe, peço que ampliem os horizontes, para irem mais além. Se optaram por serem funcionários do povo, não é possível fugir da opinião pública. Não se pode calar e oprimir tudo que julgarem contrário. As sementes já foram jogadas ao vento e não se pode mais escolher o que vai ser colhido.

Meus interesses, opiniões e ideologia não mudam de acordo com o período. Assim, a coragem para denunciar problemas públicos que muitos dos senhores aplaudiram durante a eleição, é a mesma que segue a defender causas coletivas, agora reprimidas por alguns.

Acredito não ter ido mais além do que a Constituição Brasileira me garante: A liberdade de expressão. Mas respeito opiniões contrárias… Se quiserem, podem me processar pelo texto também. Mas lembrem-se que a Justiça deve ser um conceito permanente em uma legislatura, não a use só quando for de conveniência.

Minha vó me dizia que “Sapo Calado, Morre embaixo do pé de Boi”, isso em tempos de coronéis. Algumas décadas depois, ainda é proibido falar o que a “Boa Fé” dos ouvidos alheios aos nossos não querem escutar.

 
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Publicado por em abril 12, 2013 em Uncategorized

 

Segurança: Em nome de quem?

justiça brasileira

Depois de algum tempo de programas vazios, vi algo na televisão aberta que possa causar alguma reflexão aos brasileiros: Assistia ontem a exibição na TV GLOBO do filme Tropa de Elite 2. Se olharmos além das cenas de violência, o roteiro traz reflexões importantes. O personagem do Deputado Diogo Fraga, me chamou a atenção. De fato, as falas dele, extremamente ridicularizadas no decorrer do filme, trazem a tona um discurso que os brasileiros teimam em ouvir: O Sistema de Segurança Público do país tem promovido mais uma limpeza étnica e social do que uma proteção efetiva. Isso porque serve a um Sistema maior. Simplificado: Os governos privam certos lugares (Quase sempre os morros) do acesso à políticas públicas efetivas: Saúde ,Educação, Lazer… Não por coincidência estes lugares tornam-se foco do aumento da criminalidade. Para resolver o ‘problema’, que os homens públicos fingem não saber o motivo, o Estado trajam os seus agentes, sobem o morro, promove sua “higiene social” (A maioria dos mortos são negros e de classe baixa), ‘esconde’ do resto do mundo o lado podre da maçã e é louvado pela população… Parece mais fácil amputar o dedo, do que curar a ferida. Porque a cura demanda tempo e eleição só acontece de 04 em 04 anos.
Realmente parece roteiro de filme, mas é Brasil! Apesar de ainda contar com pessoas de caráter e dedicação, O sistema de segurança brasileiro não serve a população! Serve a manutenção da ‘Ordem’ de um Estado patrimonialista e extremamente elitista…
Eu sou contra qualquer ato de violência. Mas se é mesmo ‘pra justiça ser feita’ e se a polícia ‘só dá porrada em vagabundo’, gostaria de ver o BOPE, ROTA, GATE, Exército e demais nomenclaturas do sistema de segurança, invadir o Senado, a Câmara do Deputados e tratar um monte de abutres de terno e gravatas, como tratam os demais das periferias. Pegar o deputado corrupto colocar um saco plástico na cabeça dele e dizer “Fala deputado! Onde está o dinheiro que você desviou dos cofres públicos?”. Encostar o senador cara-de-pau na parede, esbofeteá-lo, dizendo “Pede para sair senador, você é um ladrão, Renuncia!”… Parece loucura, né? De fato, quando o agredido está bem vestido, a violência nos parece mais absurda e desproporcional. Parece ferir os Direitos Humanos. Mas direito só é direito se for para todo mundo. Caso contrário é privilégio. E o Brasil é o paraíso dos privilégios…

 
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Publicado por em abril 3, 2013 em Uncategorized

 

MANIFESTO DE UM PALHAÇO: Quem somos – De caras pintadas, num rasbico de mundo

Li certa vez em um livro, que todo mundo cumpre determinado papel na atual conjuntura do sistema político e econômico. Daí em diante comecei a indagar: Qual será o papel de um palhaço, figura simples e emblemática, em um cenário tão pesado e burocrático? Simples. Pode parecer piada, como costume de artista circense, mas o palhaço é uma das figuras mais importantes desse sistema. É ele o responsável por desafogar as pessoas da vida tortuosa e rotineira que todos acostumaram a levar. É como o funcionário que limpa as máquinas das grandes indústrias, para que elas possam funcionar no dia seguinte. O homem de cara pintada, ensina aos demais que não importa o quanto seja áspera a situação, sempre pode-se tirar uma gargalhada dela. E mostra que o ridículo humano, antes de um defeito, é um aspecto natural;

Para isso, não basta que a pessoa por debaixo das roupas coloridas conheça o mundo. Ele precisa antes de tudo conhecer seu próprio mundo: Suas dores, que quase nunca aparecerão; Seus anseios, que serão transformadas em palavras engraçadas e o seu brilho no olho que será emprestado para o imaginário de todos que o tocarem.

Os homens perderam o dom da simplicidade. Os palhaços os lembram cotidianamente dele. Relembram que todo executivo de terno, foi antes de tudo uma criança de sonhos; Que antes da vida adulta e chata, existiam sentimentos e sorrisos. Que o sol, antes de ser o interruptor de sua noite de sono é o mensageiro de um novo dia que brilha.

E vendendo sonhos e colocando óleo na grande engrenagem da máquina que o mundo se tornou, seguem estes seres, de sorriso meigo mesmo que esteja de coração partido. Garantindo sonhos, mesmo que não consiga dormir tranquilo. Com o mundo nas mãos, mesmo que siga apenas com uma mochila nas costas.

E assim, o mundo se faz criança; Os dias se fazem leves!

 
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Publicado por em novembro 27, 2012 em Uncategorized

 

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Periferia em Cena: Projeto visa à ocupação cultural e artística em bairros periféricos de Pedra Azul

Dados e estatísticas de diversos órgãos apontam o crescimento do número dos casos de violências envolvendo crianças e adolescentes no município de Pedra Azul. Na maioria dos casos, as ocorrências estão envolvidas com o uso de substâncias tóxicas. Diante deste contexto, diversas entidades têm discutido instrumentos e alternativas para reverter este quadro. Nesta perspectiva foi elaborado o projeto “Periferia em Cena”

O projeto que está em fase de planejamento, foi desenvolvido pelo CEDEDICA-VALE (Centro de Defesa dos Direitos da Criança e do Adolescente do Vale do Jequitinhonha), com financiamento do Ministério Público e Poder Judiciário e conta com parcerias de diversas instituições. Através do desenvolvimento de atividades educativas e culturais (Oficina de dança, Circo, Teatro, música e esportes), ações de mobilização comunitária e atividades de promoção de lazer e cidadania, a entidade em parceria com outros órgãos pretende mobilizar e sensibilizar crianças, adolescentes, comunidade, poder público e a sociedade em geral para a diminuição do envolvimento de meninos e meninas com o uso e abuso de substâncias tóxicas e a prática de atos infracionais.

Mobilizar em torno de uma cultura de segurança pública preventiva é outro ponto estruturante das atividades. As ações propõem fazer com que a comunidade não seja apenas um público alvo, mas co-gestora e responsável pelo desenvolvimento. A previsão de inicio das atividades do projeto nos bairros é para Janeiro de 2013. Durante o fim deste ano diversas reuniões e debates estão sendo organizados para mobilizar os atores envolvidos nas ações do projeto e discutir atividades que poderão ser acrescentadas.

“Iremos trabalhar com problemáticas como drogas e a criminalidade utilizando como armas a Arte, a cultura e o esporte, que são ferramentas muito importantes de ascensão social. Entendendo que estes problemas têm que ser trabalhados num contexto de mobilização comunitária e em sinergia com os órgãos públicos, trabalharemos de forma descentralizada, ou seja, dentro dos bairros”, afirma William Nascimento, 21 anos, coordenador do projeto.

 
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Publicado por em outubro 24, 2012 em Uncategorized

 

Jovem: Por quê fomos lembrados tão rapidamente nas eleições da nossa cidade??

Fico surpreso como o período eleitoral é mestre em “parir” novos idealistas. As pessoas passam a ser tudo e acreditar em tudo, inclusive em causas que já mais ouviram falar! Em especial, estou espantado com a atenção que está sendo dada ao público jovem nesta campanha eleitoral  em Pedra Azul. Inauguração de Comitês, propaganda, músicas. Avanço? Atenção? Gosto pela causa? Acredito que não! Puro marketing.

Relembro, que somos um município que historicamente, não tem políticas públicas voltadas para as juventudes. Durante o resto do tempo (Que não está compreendido entre o período eleitoral) não somos um público tão lembrado quanto divulgado nas campanhas. O que faz com que anualmente, dezenas de jovens saiam para tentar “ganhar a vida” nos grandes centros. Sem deixar de falar, da crescente mortalidade juvenil no nosso município.

Façamos uma análise. Em menos de 01 mês de campanha eleitoral, já foram inaugurados dois comitês “jovens”. Em 15 anos, quantos espaços que promovam Saúde, Educação, Lazer, Esporte e Cultura para as juventudes, foram construídos e/ou inaugurados no nosso município? Quantos movimentos foram feitos pela juventudes com passeatas, carros de som, bandeira e mobilização social em prol da melhoria da qualidade de vida dos mesmos? Quantos discursos nos foram direcionados em épocas que não fosse eleições?

Porque toda essa atenção? Simples. Somos nós o público capaz de eleger qualquer candidatos. E muitos de nós que são capazes de se trucidarem nas ruas e redes sociais e em nome da politicagem barata.

100 Anos de emancipação política e nosso cabresto ainda não caiu. A tarja que nos cerra os olhos ainda não nos foram tirada! Os coronéis não tiram suas patentes….

Estamos simplificando o nosso protagonismo juvenil na política a mera representatividade, virando bibelôs de enfeites de passeatas e comitês. Vamos participar de fato da política do nosso município, mas de forma mais lúcida… Cobrando melhorias na qualidade de vida acima de tudo….

SOU MAIS…….. Nós!!!!

 
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Publicado por em agosto 4, 2012 em Uncategorized